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O sucesso das adaptações literárias no Oscar

Quatro dos cinco indicados a melhor filme este ano têm roteiros baseados em livros

Ana Carolina Caliópio
12/04/2004

A cerimônia de entrega do Oscar este ano não trouxe grandes surpresas. Assim como a maioria das indicações para as principais categorias foram as esperadas pelo público e pelos críticos, os vencedores confirmaram as apostas. Com toda a previsibilidade que quase sempre impera na premiação, a sua 76ª edição ratificou o apreço que a Academia tem por um tipo específico de produção: as adaptações literárias.

Dos cinco filmes indicados a melhor do ano, quatro – incluindo o grande vencedor – eram baseados em livros: a última parte da trilogia O Senhor dos Anéis, O retorno do rei (de Peter Jackson), que levou para as telas o mundo fantástico criado por J.R.R. Tolkien; o drama policial Sobre meninos e lobos (de Clint Eastwood), adaptado com grande fidelidade da obra de Denis Lehane; Seabisuit – alma de herói (de Gary Ross), biografia de um cavalo azarão que conquistou os Estados Unidos, baseada no livro de Laura Hillenbrand e Mestre dos mares – O lado mais distante do mundo (de Peter Weir), inspirado em dois livros da série de aventuras marítimas criadas por Peter O’Brian. (O quinto indicado foi Encontros e desencontros, de Sofia Coppola, que ganhou o prêmio de melhor roteiro original). Além disso, Cold Mountain e Cidade de Deus, com indicações importantes e em número considerável.

A maioria dos filmes conseguiu fazer com sucesso a travessia das páginas às telas. Tanto que só o filme de Weir e Cold Mountain ficaram de fora das indicações para o Oscar de melhor roteiro adaptado. Merecem destaque o trabalho vencedor de Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens, que conseguiram agradar até aos fãs mais puristas do universo literário de Tolkien ao transformar a gigantesca saga de O Senhor dos Anéis em uma mega-filme de dez horas de duração, e ainda Brian Helgeland, autor do roteiro de Sobre meninos e lobos, que tem no currículo outras ótimas adaptações, como a de Los Angeles – cidade proibida.

O nome “roteiro adaptado” para esta categoria, na verdade, é uma abreviação do título oficial, “roteiro baseado em material previamente publicado ou produzido”, que significa que o prêmio não se restringe apenas a adaptações literárias. Por isso a indicação de filmes como Chicago, uma recriação de um musical da Broadway, e melhor filme no ano passado, para esta categoria. O filme e perdeu o prêmio de roteiro para O pianista.

A tendência da Academia em premiar filmes baseados em livros é tão constante que, em média, de dois a três filmes indicados para melhor filme a cada ano também são indicados para melhor roteiro adaptado. Nas últimas duas décadas, apenas em 1981 não houve nenhuma adaptação entre os cinco indicados.

Definitivamente, o Oscar 2003 (a premiação acontece no início de cada ano para os filmes que estiveram em cartaz no ano anterior) mostrou mais uma vez o peso que as adaptações têm perante os membros da Academia. Além de todos os dados mencionados, com a vitória de O Senhor dos Anéis - O retorno do rei como melhor filme e melhor roteiro adaptado, chega a 11 o número de vezes que essa “dobradinha” aconteceu nos últimos 20 anos. Muitos críticos e cinéfilos garantem que algumas características – como, por exemplo, ser um drama à moda antiga ou ter personagens que requerem transformações físicas dos atores – fazem de um filme um típico “oscarizável”. Se isso é verdade, não resta mais dúvida de que ser uma adaptação literária é uma delas.


Literatura & Arte
Daniel Vargens

"A maioria dos filmes conseguiu fazer com sucesso a travessia das páginas às telas"