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Poesia no Fundão

Autores consagrados e anônimos trocam versos e experiências

Alessandra Cruz
16/04/2004

Mais popular entre os gêneros literários, a poesia conquistou público em todas as épocas, tornando-se, inclusive, um meio de representação para certos períodos históricos. No entanto, em grande parte dos veículos que tratam de literatura, ou no próprio meio acadêmico, a poesia ainda não encontra posição de destaque. E até o meio editorial guarda reservas quanto à capacidade de vendas dos títulos de poesia. A afirmação se confirma com a desproporção entre o que é produzido e o que chega a ser publicado ou mesmo veiculado, debatido nos jornais, revistas e salas de aula.

A I Semana de Letras da UFRJ que aconteceu de 12 a 16 de abril no prédio da Faculdade de Letras, na Ilha do Fundão recebeu poetas, leitores e curiosos para discutir o tema. Passaram pelas palestras e mesas-redondas nomes como Nélida Piñon, Antônio Carlos Secchin, Geraldo Carneiro, Antônio Cícero, Armando Freitas Filho, entre outros que dividiram espaço com poetas novos, ainda desconhecidos do grande público. Para os organizadores, eis um dos maiores méritos da semana: abrir espaço no meio acadêmico para falar de poesia. Expandir o espaço da sala de aula e dar a oportunidade a muitos alunos de conhecer um pouco mais sobre o gênero.

"Debates como esse apresentam a poesia para muitas pessoas que jamais leram um poema na vida", explica a organizadora Maria Clara Carneiro. Ela e seus colegas do curso de Letras Fernando César da Silva e Luciano Caldas formaram um grupo que, por iniciativa própria, vem buscando ampliar a discussão sobre os temas dados em sala de aula.

Antes da Semana de Poesia, os três alunos do curso de letras da UFRJ organizaram uma Semana de Filosofia e Literatura. Desvinculados de movimentos e instituições, eles se dedicam a essa tarefa por acreditar que às vezes as questões acadêmicas distanciam a literatura da arte e deixam de analisar temas importantes. Como a produção poética contemporânea é pouco discutida no meio acadêmico, a Semana lançou em debate a poesia desde os anos 60 até os anos 90, passando por temas como o concretismo e a poesia marginal.

"Acreditamos que todos os poetas que apresentamos neste evento se destacarão de alguma forma no futuro", contam os organizadores, destacando que, entre os participantes, houve até quem nunca chegou a publicar um livro sequer.

Para dar conta de um universo tão amplo, apesar do recorte em poesia contemporânea, os organizadores definiram alguns temas e dividiram um para cada dia, com espaço para discussões que vão desde a relação entre música e literatura, até palestras sobre mitologia e oralidade, além da questão da funcionalidade da literatura.

Satisfeitos com a receptividade ao evento, os organizadores comemoram por estarem vencendo o desafio não apenas de divulgar poesia ao grande público, bem como colocar novos poetas e antigos, já consagrados, juntos, trocando as mais diferentes experiências: "Precisamos de mais eventos como esse não só na academia, mas para o grande público. Não é verdade que o povo não gosta de poesia, ele só não sabe onde ir buscá-la. Dependendo do resultado que alcançarmos, muito mais será feito", analisam Maria Clara, Fernando e Luciano.


Tracejando
Daniel Vargens

"Um dos méritos da Semana é abrir espaço no meio acadêmico para falar de poesia"