Nas últimas semanas, as listas dos mais vendidos apresentaram uma novidade no posto de campeão de vendas. O recém-lançado Pensar é transgredir, de Lya Luft, desbancou os habitues Paulo Coelho e Harry Potter. Seguindo a trilha aberta no ano passado com Perdas e ganhos, que vendeu 150 mil exemplares, Pensar é transgredir mostra que a vida deve ser saboreada nos seus mínimos detalhes. Em 50 crônicas, algumas escritas para jornais, outras inéditas, Lya fala aborda temas humanos: família, relacionamentos, a atual falta de tempo, velhice, etc:
"A vida é uma mesa posta, com venenos mortais, pratos insossos e outros deliciosos. Alguns conscientemente escolhem veneno, achando que viver é sofrer, e ponto final. Outros comem – e vivem sem sal. Mas há os que, quando podem, pegam as delícias da vida e assim se salvam da areia movediça da depressão."
Mas não pense que se trata de um livro de auto-ajuda, com receitas fáceis para alcançar uma vida feliz. Pensar é transgredir faz exatamente o oposto e aí é que está o segredo de seu sucesso. A escritora gaúcha não oferece conselhos ou respostas prontas. Ela apenas expressa sua opinião e relata experiências pessoais. Lya vai contra a postura atual de procurar um remédio simples para as mazelas (receita típica do gênero de auto-ajuda) e discute valores morais.
Mais do que isso, ela faz pensar. Não é à toa que a autora batiza sua obra de Pensar é transgredir. Essa é a principal mensagem da obra e o trunfo da escritora, que mostra que "pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto".
Apontada pela crítica como uma escritora que escreve para mulheres, por obras como Rio do meio (1996), Lya Luft comprova, em Pensar é transgredir, que fala para todos os públicos. Exemplo disso são a Canção dos homens e a Canção das mulheres, nos quais ela aponta como homens e mulheres devem tratar o sexo oposto. Com poesia, mostra as armadilhas que podem acabar com um relacionamento.
Lya tem um texto delicioso. Num tom de bate-papo, a escritora conversa com o leitor, seu "amigo imaginário", mas tenta agradá-lo: "Eu, por profissão, cavo palavras nas minas do silêncio: não para apaziguar, mas para provocar; não para responder, mas porque não cesso de indagar". Impiedosa, a gaúcha critica o consumo exagerado, a busca pela juventude e a falta de atenção com a família. Para ela, as delícias da vida estão no amor, na amizade, no trabalho feito com prazer.
Prazerosa é a leitura de Pensar é transgredir. O texto apaixonado e apaixonante prende a atenção do início ao fim, mostrando que o livro tem tudo para repetir o desempenho de Perdas e ganhos e sumir das prateleiras das livrarias. É pagar para ver.