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Abrindo Caminho
Ana Maria Machado
Ilustrações de Elisabeth Teixeira
Ática
40 páginas
R$ 14,50

Quando a pedra vira o caminho

Em seu novo livro infantil, Ana Maria Machado reúne personagens e ensina como vencer obstáculos

Camila Tavares

Uma pedra no meio do caminho. O que para muitos pode ser o fim, para a escritora Ana Maria Machado é o início de um livro. Avessa às tradicionais histórias infantis e ao lugar-comum do "era uma vez", a mais nova integrante da Academia Brasileira de Letras se inspirou em música e poesia para escrever Abrindo Caminho. A partir dos versos de Águas de Março, de Antonio Carlos Jobim (a quem o livro é dedicado), e de Meio do Caminho, de Carlos Drummond de Andrade, ela reúne personagens que, cada qual no seu canto e na sua época, superaram obstáculos e revolucionaram paradigmas. Além de Tom e Carlos - como são chamados no livro – a autora homenageia Santos Dumont, Dante Alighieri, Marco Pólo e Cristóvão Colombo.

Com mais de 100 livros em seu currículo, Ana Maria influenciou gerações de crianças com suas narrativas ricas em conceitos e significados. Abrindo Caminho mantém essa linha. Sem uma história linear, o livro ensina que na vida há muitos rumos a trilhar e obstáculos a vencer. A prosa poética da criadora de Bisa Bia Bisa Bel leva para a ficção pessoas reais com o intuito de provar que é possível transformar inimigo em amigo, fim em começo, pedra em caminho.

Mais do que personagens, os homens citados são exemplos de superação. Eles tiveram coragem e criatividade para abrir caminhos, tanto geográfica como artisticamente. Dividido em dois momentos, o livro inicia trazendo três personalidades do ambiente literário. Ana Maria resgata A Divina Comédia e coloca Dante Alighieri enfrentando uma selva escura para alcançar o paraíso, uma pedra no meio do caminho de Drummond e um rio atrapalhando Jobim. Mas os desafios da "natureza" não foram empecilho para eles. Esses gênios da palavra utilizaram seu talento como arma e escreveram obras-primas: "Cada um no seu canto/ com seu canto nos chamou. E nenhum de nós, nunca mais, ficou sozinho".

A autora também celebra a criatividade de inventores e desbravadores que, por terra, céu e mar, criaram novos caminhos e rotas pelo mundo. Ela registra as aventuras de Marco Pólo no Oriente, onde o desbravador provou que "com muito encontro e negócio, inimigo vira amigo". Já Cristóvão Colombo se lança para os mares do Ocidente enquanto Santos Dumont diminui as distâncias voando no 14 Bis.

Essas narrativas ganham vida com as ilustrações de Elisabeth Teixeira, tão importantes quanto a palavra escrita. As aquarelas que colorem as páginas de Abrindo Caminho funcionam como pistas para complementar a poesia de Ana Maria Machado. Com seu traço redondo, Elisabeth desenha amplas paisagens e coloca cada personagem em um ambiente repleto de referências. Na selva de Dante, por exemplo, estão Beatriz e Virgilio, prontos para guiá-lo. Os melhores quadros, no entanto, estão no fim do livro e são aqueles em que a ilustradora mostra como as invenções dos seis homens estão inseridas em nosso cotidiano. Parte da brincadeira está em procurar as referências escondidas nos cantos das páginas.

Em Abrindo Caminho, Ana Maria Machado convida a pensar em novas trilhas a serem abertas e obstáculos a serem superados. Voltado para os leitores iniciantes, o livro encanta e diverte quem gosta de poesia e música, não importa a idade.


Reprodução

"Mais do que personagens, os homens citados são exemplos de superação. Eles tiveram coragem e criatividade para abrir caminhos, tanto geográfica como artisticamente"